E agora? Engenharia Mecânica

Um pouco atrasada por aqui porque ultimamente meu tempo está bem contado aqui nos EUA, já que em dezembro estou voltando. Tenho me dividido entre aulas, últimos afazeres, passeios, edição dos vídeos e afins… Mas, porém, entretanto, tenho postado sempre vídeos no canal do YouTube, então não se preocupem, sem conteúdo vocês não ficam.. hahaha

Hoje temos o quarto episódio da série “E agora?” com o curso de Engenharia Mecânica e os convidados são Gabriella e Victor.


Por Raquel Sales

 

Visita a Robie House – Frank Lloyd Wright

Algo que definitivamente este intercâmbio tem me proporcionado é a possibilidade de conhecer grandes obras da arquitetura ao vivo, e claro que quando a oportunidade aparece, eu aproveito! Durante a temporada em que morei em Chicago conheci as tão famosas casas modernistas e vou falar sobre todas que visitei, começando pela Robie House.

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Eu e a Robie House! meeeega feliz de estar ai! haha

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Eu e meu amigos arquitetos (Ton e Fillipe) que foram na visita

Não sabe do que estou falando? Começou o curso de arquitetura agora e nem chegou nessa parte? Espera! Vou clarear as coisas para você… A Robie House é uma das obras mais importantes do modernismo e foi considerada um Marco Histórico Nacional dos Estados Unidos. Ela foi projetada pelo famoso arquiteto modernista e americano Frank Lloyd Wright, considerado o maior precurssor do Prairie Style, um estilo que se desenvolveu apenas nos EUA.

Prairie Style foi uma “escola” dentro do modernismo que contrariava o Internacional Style europeu, isto é, o estilo buscava harmonizar a edificação com a paisagem na qual ela estava inserida, algo que não era uma preocupação do outro estilo, e era a favor da produção e confecção artesanal dos materiais e objetos, quebrando o conceito de produção em massa.

Voltando a falar sobre a Robie House, ela foi projetada e construída entre os anos 1908 e 1910. Frederick C. Robie foi o responsável pelo financiamento da casa, e com sua família (esposa e dois filhos) viveu na casa durante um ano e alguns meses, assim passando pela “mão” de mais duas famílias. Em 1957 houve uma tentativa de demolição da casa, pois devido a sua localização próxima ao campus de uma universidade, queriam transforma-la em dormitório (ela já estava sem uso), até que muitas idas e vindas, em  1971 a comissão de Chicago declarou o Robie House um marco, evitando a demolição.

Vamos começar o tour?

O tour é aberto para qualquer tipo de público e custa 17 dólares para adultos e 14 para estudantes. Você pode comprar seu ticket neste site aqui ou pessoalmente na lojinha da casa. Ela fica localizada no campus da Universidade de Chicago, no bairro de Hyde Park, em Chicago, Illinois. Um detalhe é que o tour não inclui todos os espaços, não sei por qual motivo, não podíamos conhecer os espaços destinados ao serviço da casa, mas conhecemos as principais áreas.

Assim que você entra pelo portão que tem as plaquinhas da casa encontra a lojinha, que fica onde supostamente era a garagem antigamente. No pátio da loja, antigo quintal, você encontra sua guia para começar a visita.

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Plaquinhas que ficavam na entrada para a lojinha

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Os portões da antiga garagem, agora loja

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O pátio onde encontramos a guia para a visita

Começando pela parte exterior, é possível ver nitidamente a influência do Prairie Style. A casa possue linhas horizontais representadas através das faixas de tijolos e janelas continuas, estas com poucos intervalos entre elas. As coberturas pouco inclinadas, e os beirais são amplos e salientes. A função destas linhas horizontais é se relacionar com a paisagem, dando uma sensação de continuidade do espaço. A casa é representada através de uma geometria simples e plana, com dois grandes retângulos sobrepostos.

Para vocês conseguirem entender bem, vou colocar a planta de cada pavimento (peguei no Google).

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Primeiro pavimento. Nele visitamos o playroom (sala de jogos), entry (hall), garage (garagem onde funciona a loja) e drive (pátio)

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Fachada da casa. Observem as linhas horizontais bem demarcadas

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Lateral da casa. Aqui é possível ver o grande balanço da cobertura

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Detalhe da cobertura pouco inclinada e beiral saliente

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Detalhe dos tijolos formando linhas horizontais

As vigas de aço nos tetos e pisos suportam a maior parte do peso do edifício, permitindo que as paredes exteriores sejam preenchidas com várias janelas de vidro, contribuindo novamente para a estrutura horizontalizada.

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Janelas por todos os lados

Quase todas as janelas em vidro possuem alguma arte de geometria abstrata, algumas coloridas, outras não. Estes desenhos também foram usados nas tapeçarias dentro da casa e nos portões externos.

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Detalhe das janelas

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Arte colorida nas janelas

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Apenas o desenho sem cores nas janelas

Explicada a parte externa, agora vamos começar a visita interna. Iniciando-se numa sala de jogos, localizada no pavimento térreo, o espaço era destinado ao uso das crianças. O mobiliário era adequado a altura deles e o pé-direito baixo, tornando-se confortável para o uso infantil. Nesse espaço assistimos um pequeno vídeo sobre a casa e sua construção e depois seguimos para o Hall da casa.

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Antiga sala de jogos

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Detalhe para a lareira ao fundo e para a porta que dá acesso ao Hall do lado esquerdo

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Quadro sobre a história da Robie House

Detalhe, aquela sala tem uma porta que dá acesso ao pátio mostrado mais acima, que dá acesso a garagem. Nesse pátio tem uma escada externa “escondida” que era o acesso dos funcionários para a casa.

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O pátio

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Aquela portinha no meio inferior da foto era a sala de jogos

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Esse cartaz vermelho fica no local da escada dos funcionários da casa

O hall fica na entrada principal da casa, esta que fica bem escondida através de paredes e de uma varanda saliente, pois Wright queria proporcionar privacidade para a família. Assim você tinha que ir para a lateral oeste da casa para chegar a entrada.

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Entrada principal

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A entrada mais de perto. Percebam o teto do espaço (onde fica a varanda saliente)

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A porta principal em madeira e vidro

O Hall foi concebido com o propósito de ser uma área transitória, por isto não tem a intenção de proporcionar bem-estar ao usuário, assim o baixo e a iluminação reduzida causam um desconforto, mas as escadas que dão acesso ao segundo andar são bastante iluminadas através de uma luz superior, gerando curiosidade ao visitante e dando-o vontade de conhecer o “resto” da casa.

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Fotografia do Hall “original”

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Vejam como ele é escuro

O salão é formado por um mobiliário destinado a guarda de calçados, um banheiro, um pequeno depósito e um console.

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O espaço do Hall

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O outro lado do Hall

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Acesso a escada pelo lado direito

Subindo as escadas temos a sala de estar e a sala de jantar, localizadas no segundo pavimento. Por estarem completamente iluminadas, as salas se tornam especial, pois criam um contraste com o Hall escuro.

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Segundo pavimento. Visitamos o living e dining (salas de estar e jantar) e kitchen (cozinha)

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A escada que dá acesso ao segundo pavimento

As duas salas tomam conta do espaço no segundo pavimento. Devido ao fato de que a casa é estruturada em aço, a necessidade te existir colunas estruturais internas era mínima, o que deu a Wright a possibilidade de criar áreas abertas e bem iluminadas, deixando o espaço mais agradável. As salas são separadas através de uma chaminé e ligadas através de um pequeno corredor. 

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O corredor que interligava as duas salas

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Saindo do corredor e entrando na sala de estar

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A sala de estar vista para o lado direito. Atrás daquela lareira fica a sala de jantar

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A lareira com o mesmo material e cores usadas nas paredes externas da casa

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A sala de estar vista para o lado esquerdo. Observem o plano aberto

Wright também projetou alguns móveis da casa, porém a maior parte dos originais estão sendo expostos no Smart Museum of Art da Universidade de Chicago. Apesar disso, haviam réplicas de alguns móveis na casa.

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Sofá, projetado por Wright

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Cadeiras, também projetadas por ele

Neste andar fica evidente o trabalho de marcenaria e personalização de cada elemento da residência. O forro é um elemento muito marcante, contando com placas de madeira com cortes geométricos que escondem todas as instalações elétricas destinadas à iluminação. Os fragmentos formados por estes cortes possuem diferentes tamanhos com a intenção de gerar diferentes sombras.

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Detalhe do forro com estruturas em madeira que escondiam as instalações

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Mais um detalhe

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Outro detalhe com desenho diferente ao anterior

Outro elemento característico deste cômodo é o paralelismo, onda toda a estrutura de iluminação é espelhada e contínua através de um elemento de madeira na direção transversal da sala.

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A iluminação nas laterais conectadas através desta estrutura em madeira

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Mais de perto…

As janelas e portas com esquadrias de motivos geométricos e vidro colorido se repetem em paineis verticais, dando continuidade ao espaço, trazendo a sensação de um ambiente amplo e proporcionando uma vista privilegiada para os usuários internos. Porém, para trazer privacidade a eles, Wright criou jardineiras, que eram localizadas na varanda externa, voltadas para a rua, resguardando o espaço interno.

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A janela no canto esquerdo e as portas que davam acesso a varanda

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Detalhe da jardineira (durante a visita não fomos permitidos de irmos até ela)

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Arte colorida no vidro

Os desenhos geométricos também foram utilizados na tapeçaria projetada por Wright.

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Desenho geométrico no tapete

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Outro desenho

As luminárias também foram projetadas por Wright. Para a iluminação do teto, ele criou máscaras esféricas que eram cobertas por grades de madeira e para a iluminação da parede ele também usou a ideia da esfera, porém esta era suspensa por baixo de uma luminária em madeira. Todas as luzes eram independentes, ou seja, cada uma operava separadamente, podendo criar efeitos diferentes no espaço.

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Iluminação de teto

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Iluminação de parede

A Sala de jantar segue o mesmo estilo da sala de estar, cores, revestimentos, luminárias, janelas e portas… A grande diferença é como o espaço é utilizado e os móveis existentes, afinal, é de jantar né? A sala tem um pequeno ambiente, que é utilizado como bar,  mesas e cadeiras para uso da refeição, e armários para armazenamento de utensílios.

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Foto da sala de jantar original

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Sala de jantar

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O bar

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Móvel para armazenamento

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A cadeiras da mesa de refeição (a mesa estava em exposição)

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Armário

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Esta é uma salinha que ficava “escondida” na sala de jantar, onde tinha armários para os utensílios

Apesar da cozinha ficar no mesmo andar, ela foi a última visitada do tour. A cozinha é um ambiente bastante amplo, foi concebido levando em consideração as preferências do Sr. Robie (que gostava de receber grandes grupos para jantares), possuindo um mobiliário em madeira nas paredes destinado a guarda de utensílios, uma mesa central e um balcão com pia para a preparação dos alimentos e higienização da louça.

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Foto original da antiga cozinha

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Mais uma foto

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A cozinha

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Outra vista (a geladeira é para uso dos guias que trabalham na visita)

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Detalhe da mesa central

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Outra vista com o balcão de madeira

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Porta que dava para a área de serviço

Subindo para o último pavimento da residência encontramos os quartos. Destes, um é master, um para crianças e outro para os hóspedes. O quarto master possui closet, um amplo banheiro, gavetas embutidas nas paredes, logo abaixo das janelas e um pé-direito um pouco mais alto em comparação ao da sala (devido a cumeeira). O quarto de hospedes também possui banheiro, porém o das crianças não. Infelizmente estes quartos não apresentavam quase nenhum  móvel (tipo cama, penteadeira, cabeceira… enfim).

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Terceiro pavimento. Visitamos tudo

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Escada que dava acesso ao último pavimento

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Porta de entrada do quarto

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Quarto do casal (master)

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Gavetas embutidas

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Detalhe das janelas

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Lareira

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Closet

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O banheiro

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A banheira e o chuveiro

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Detalhe do teto

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Corredor com armários que dava acesso ao banheiro e quarto de hóspedes

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Quarto de hóspedes

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Foto do original quarto de hóspedes

Ufa, post longo, mas contei toooooodos os detalhes! Espero não ter ficado dúvidas, se tiver, fala aqui nos comentários… Ah, e tem vídeo também, onde mostro a parte externa da casa.


Por Raquel Sales

 

Turistando em Chicago: Fontes

Já falei que a arquitetura de Chicago é maravilhosa né? Para mim aquela cidade é um sala de aula a céu aberto! Porém, quando se fala em arquitetura muitas pessoas pensam logo em prédios, casas e mais prédios, mas não é só disso a arquitetura é feita, haha.

No passeio de hoje vou mostrar a vocês um pouco da cidade, mas principalmente duas coisas lindas que existem nela: Fontes. Uma me encantou pela beleza, já a outra me encantou mais pela ideia e forma.

A primeira, localizada no Grant Park é a Buckingham Fountain. Ela foi projetada pelo arquiteto Edward H. Bennett em 1927, seguindo o estilo do Rococó e também da Art Deco, pois possui 4 esculturas de leões marinhos em Art Deco que representam os quatro estados por onde o Lago Michigan passa.

A fonte é muuuito linda, principalmente de noite, onde existe o “show” de luzes. Tirei algumas fotos onde é possível ver a mudança de cor, porém também mostro isso no vídeo deste passeio. Antes de ir a fonte procurei um pouco sobre ela e lembro de ter lido que ela lembrava um bolo de casamento, e realmente, ela tem o formato de um bolo de casamento com seus “andares” esplendorosos.

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Atravessando a ponte para chegar no Grant Park

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Grant Park

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Estátua de Abraham Lincoln localizada no Grant Park

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Buckingham Fountain

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Mudando de cor…

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Vista da cidade direto do Grant Park

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Atravessando a ponte em direção a Michigan Av.

A segunda fonte é a Crown Fountain, localizada no Millennium Park. Ela foi projetada pelo artista catalão Jaume Plensa e inaugurada em 2004. A fonte são duas torres de tijolos de vidros que exibem, atrás desses tijolos, imagens de rostos de pessoas em vídeo. Esses rostos “cospem” água, além da água que é jorrada da parte superior da fonte, formando uma cascata. É um pouco difícil visualizar esse processo quando explico em texto, mas vocês podem ver no vídeo ela funcionando… É muito genial e diferente. As crianças adoram brincar nessas fontes, pois elas formam um espelho d’água embaixo delas. Ah, e de noite elas também ficam iluminadas.

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Crown Foutain

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Rosto na torre 1

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Rosto na torre 2

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A torre iluminada de noite

Curtiram? Já visitaram estas fontes? Me contem nos comentários!!


Por Raquel Sales